Incêndio em Mato Grosso, BrasilDireitos autorais da imagem
Anistia Internacional

Milhares de incêndios devastam a floresta amazônica no Brasil – os incêndios mais intensos em quase uma década.

Os estados do norte de Roraima, Acre, Rondônia e Amazonas foram particularmente afetados.

Na Bolívia, enormes incêndios também queimaram ao longo da fronteira na Bolívia, varrendo as margens da floresta tropical e da savana do país.

Então, o que exatamente está acontecendo e qual a gravidade dos incêndios?

Houve muitos incêndios este ano

Brasil – lar de mais da metade da floresta amazônica um grande número de incêndios em 2019, indicam dados da agência espacial brasileira.

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) afirma que seus dados de satélite mostram um aumento de 76% em relação ao mesmo período de 2018.

Os números oficiais mostram mais de 87.000 incêndios florestais registrados no Brasil nos oito primeiros meses do ano, o maior desde 2010. Isso é comparado a 49.000 no mesmo período de 2018.

A Nasa, que fornece ao Inpe seus dados de incêndio ativos, também confirmou gravações de seus sensores de satélite indicou que 2019 foi o ano mais movimentado por quase uma década.

No entanto, 2019 não é o pior ano da história recente. O Brasil sofreu mais atividades de incêndio nos anos 2000: mais de 142.000 incêndios foram vistos em 2005 nos primeiros oito meses do ano.

Os incêndios florestais são comuns na Amazônia durante a estação seca, que ocorre de julho a outubro. Eles podem ser causados ​​por fatos naturais, como raios, mas ele acredita que este ano a maioria foi iniciada por fazendeiros e madeireiros que limpavam terras para plantar ou pastar.

Houve um aumento notável de incêndios grandes, intensos e persistentes nas principais estradas do Brasil central, disse Douglas Morton, chefe do laboratório de ciências biosféricas do Goddard Space Flight Center da NASA.

O momento e a localização dos incêndios eram mais consistentes com a limpeza de terras do que com a seca regional, acrescentou.

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Ativistas dizem que a retórica anti-ambiental do presidente Jair Bolsonaro incentiva essas atividades de limpeza de árvores desde que chegou ao poder em janeiro.

Em resposta às críticas em casa e no exterior, Bolsonaro anunciou que não queimaria fogos por 60 dias.

O presidente também aceitou uma oferta de combate a incêndio em quatro aviões do governo chileno e enviou 44.000 soldados para sete estados para combater o incêndio.

No entanto, ele recusou uma oferta do G7 de US $ 22 milhões após uma disputa com o presidente francês Emmanuel Macron.

O norte do Brasil foi muito afetado

A maioria das regiões mais afetadas fica no norte do país.

Roraima, Acre, Rondônia e Amazonas experimentaram um grande aumento percentual de incêndios em comparação com a média dos últimos quatro anos (2015-2018).

Roraima aumentou 141%, Acre 138%, Rondônia 115% e Amazônia 81%. Mato Grosso do Sul, mais ao sul, registrou um aumento de 114%.

A Amazônia, o maior estado do Brasil, declarou estado de emergência.

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Desmatamento deliberado?

O recente aumento no número de incêndios na Amazônia está diretamente relacionado ao desmatamento intencional e não ao resultado de uma estação extremamente seca, segundo o Instituto de Pesquisa Ambiental (Ipam).

A diretora do Ipam, Ane Alencar, disse que os incêndios costumam ser usados ​​como uma maneira de limpar a terra para as fazendas de gado após as operações de desmatamento.

"Eles cortam as árvores, deixam a madeira seca e incendiam, para que as cinzas possam fertilizar o solo", disse ele. o site Mongabay.

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Planet Labs Inc.

Embora a escala exata do desmatamento na floresta tropical só seja verdadeira quando os números de 2019 forem divulgados ainda este ano, dados preliminares indicam que houve um aumento significativo já este ano.

Dados mensais mostram que a escala de áreas limpas está se arrastando desde janeiro, mas com um aumento em julho deste ano – quase 278% maior que em julho de 2018, de acordo com o Inpe.

O Inpe rastreia suspeitas de desmatamento em tempo real usando dados de satélite, enviando alertas para sinalizadores que podem ser limpos.

Mais de 10.000 alertas foram enviados em julho.

A análise da BBC descobriu que o número recorde de incêndios coincidiu com uma queda acentuada nas multas por infrações ambientais.

Os incêndios emitem grandes quantidades de fumaça e carbono

As plumas de fumaça dos incêndios se espalham por toda a região amazônica e além.

De acordo com o Serviço de Monitoramento de Atmosfera Copernicus (Cams), parte do Programa de Observação da Terra da União Europeia, a fumaça percorreu todo o caminho até a costa atlântica.

Os incêndios liberaram uma grande quantidade de dióxido de carbono, o equivalente a 228 megatonons até agora este ano, segundo Cams, o mais alto desde 2010.

Eles também estão emitindo monóxido de carbono – um gás liberado quando a madeira queima e tem pouco acesso ao oxigênio.

Os mapas de cames mostram esse monóxido de carbono, um contaminante tóxico a altos níveis, sendo transportado para além das costas da América do Sul.

A Bacia Amazônica – lar de cerca de três milhões de espécies de plantas e animais e um milhão de nativos – é crucial para regular o aquecimento global, com suas florestas absorvendo milhões de toneladas de carbono a cada ano.

Mas quando as árvores são cortadas ou queimadas, o carbono armazenado é liberado na atmosfera e a capacidade da floresta tropical de absorver carbono é reduzida.

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Houve mais incêndios em meados dos anos 2000

Embora o número de incêndios no Brasil esteja em seu nível mais alto por quase uma década, os dados sugerem que o Brasil – e a região amazônica – sofreu queimaduras mais intensas no passado.

Uma análise dos dados de satélite da NASA Este mês indicou que a atividade total de incêndios em 2019 em toda a Amazônia, não apenas no Brasil, está se aproximando da média quando comparada a um período de mais de 15 anos.

Dados do Inpe brasileiro, de 1998, também mostram que o país sofreu os piores períodos de atividade de incêndio na década de 2000.

Relatórios em meados de agosto, inclusive na BBC, disseram que houve um número recorde de incêndios no Brasil este ano. Desde então, o Inpe tornou os dados mais acessíveis, mostrando até que ponto seus registros foram estendidos. Agora, modificamos nossos relatórios para refletir essas informações.

Os números históricos do Inpe são suportados por números da Cams, que mostram emissões totais equivalentes de CO2, usadas para medir a quantidade e a intensidade da atividade de fogo, também foram mais altas no Brasil em meados da década de 2000.

Outros países também foram afetados

Alguns outros países da Bacia Amazônica – uma área de 7,4 metros quadrados (2,9 metros quadrados) – também sofreram muitos incêndios este ano.

A Venezuela teve o segundo maior número, com mais de 26.000 incêndios, e a Bolívia foi o terceiro, com mais de 19.000. Isso representa um aumento de 79% em relação ao ano passado. Em quinto lugar, o Peru registrou um aumento de 92%.

Estima-se que o tamanho dos incêndios na Bolívia dobrou desde o final da semana passada. Cerca de um milhão de acres, ou mais de 3.800 milhas quadradas, são afetados.

A Bolívia contratou um "superpetroleiro" Boeing 747 dos EUA para deixar cair a água e aceitou a ajuda dos líderes do G7.

Trabalhadores de emergência também foram enviados para a região e estão sendo estabelecidos santuários de animais que fogem das chamas.

Os países sul-americanos planejam se reunir na cidade colombiana de Letícia na próxima semana para discutir uma resposta coordenada aos incêndios.

Por Lucy Rodgers, Nassos Stylianou, Clara Guibourg, Mike Hills e Dominic Bailey. Projeto por Mark Bryson.



Esta matéria foi traduzida do site original.