Na COP-30, o debate sobre sustentabilidade, alimento e clima colocará o agro brasileiro no centro das atenções. Enquanto alguns tentam associar o setor a narrativas de impacto ambiental negativo, cresce globalmente o reconhecimento de que o Brasil possui um dos modelos mais avançados e sustentáveis de agricultura tropical. Nesta edição especial da série “Arnaldo na COP-30”, o Blog Ambiental contextualiza o papel do agro no cenário climático internacional e apresenta o artigo completo do deputado federal Arnaldo Jardim.
O texto que você lerá abaixo mostra como a produção agropecuária feita no Brasil — amplamente baseada em ciência, tecnologias regenerativas e preservação ambiental — se tornou referência mundial. Com dados, evidências e análises recentes, Arnaldo Jardim demonstra que o agro é parte fundamental das soluções climáticas globais.
O agro brasileiro alia produtividade, ciência e preservação — e chega à COP-30 como força estratégica para garantir segurança alimentar e estabilidade climática ao planeta.

Arnaldo Jardim em material oficial da COP30 Brasil Amazônia, evento que será acontecendo em Belém.
Agro Brasileiro: produtor e exemplo de sustentabilidade.
Por Arnaldo Jardim
Na COP – 30, o agro brasileiro estará no centro do debate, alguns buscando apresentá-lo como vilão ambiental; a realidade, entretanto, é que ele é e continuará sendo líder da nova economia.
Estudo publicado pelo Fórum Brasileiro da Agricultura Tropical, intitulado “Agricultura Tropical Sustentável: Cultivando Soluções para Alimentos, Energia e Clima”, mostra que a agricultura tropical, longe de ser vilã, pode ser solução para o desafio da produção mundial de alimento. A região tropical concentra 40% das terras aráveis, mais de 50% da água doce do planeta e uma biodiversidade excepcional, ocupando, desta forma, uma posição estratégica para garantir a segurança climática e energética global.
Com um modelo único de agricultura tropical, fruto de pesquisa científica, políticas públicas e empreendedorismo no campo, o Brasil tem demonstrado que é possível sim produzir sem descuidar do meio ambiente. Em apenas 50 anos, a agropecuária brasileira se transformou em uma potência mundial, aumentando sua produção em quase 7 vezes – cada quatro produtos do agronegócio em circulação no mundo é brasileiro -, ao mesmo tempo em que mantém 33,2% de sua área coberta por vegetação nativa, aliando força produtiva com riqueza natural.
Dentre os motivos desse sucesso, podemos destacar o Código Florestal Brasileiro, um dos mais rigorosos do mundo, que obriga, por exemplo, o agricultor a preservar, no mínimo, 80% da propriedade, na região amazônica, e 20% nas demais regiões do Brasil. O Código tem sido crucial para garantir a proteção de recursos hídricos, solo e biodiversidade, essenciais para a sustentabilidade a longo prazo e o aumento da produção e da produtividade. Além disso, as regras de recuperação de vegetação nativa previstas no Código contribuirão no combate às mudanças climáticas. Seria transformador se outras nações o adotassem!
Outro ponto que merece destaque é a implementação de um amplo programa de agricultura regenerativa. Criado em 2010, o Plano Agricultura de Baixo Carbono (ABC) estimula a adoção pelo agricultor de sistemas sustentáveis de produção que promovem a remoção e incorporação do carbono atmosférico, como a integração lavoura-pecuária-floresta, o sistema plantio direto e a recuperação de pastagens degradadas, que possibilitam aumento da produtividade, redução dos custos de produção e, consequentemente, alimentos mais baratos para os consumidores. Até 2030, a meta é que as tecnologias ABC sejam adotadas em mais de 72 milhões de hectares.
A pujança do Agro Brasileiro está ancorada também no uso intensivo de Bioinsumos. São bioinoculantes, como fixadores de nitrogênio e promotores de crescimento, biodefensivos, como bioinseticida, bionematicida e bioacaricida, e biofertilizante, como aminoácidos, extrato de algas, extratos vegetais, ajudando a promover a sustentabilidade da produção agropecuária. O setor está crescendo a uma média anual de 21% e a taxa de adoção de bioinsumos por agricultores brasileiros é uma das maiores do mundo, em grande medida em função do sucesso de tecnologias desenvolvidas aqui mesmo em terras tropicais como a Fixação Biológica de Nitrogênio.
Passados 33 anos da Rio-92, o País volta a ser o centro das discussões sobre o clima, agora em Belém do Pará, na COP-30, que promete ser igualmente impactante, haja vista que terá como palco a Floresta Amazônica, região fundamental para a regulação climática do planeta. É uma oportunidade histórica para reposicionar a agricultura, especialmente da região tropical, como eixo estruturante das soluções climáticas globais, bem como demonstrar o esforço que o Brasil tem feito, especialmente no setor agropecuário, no combate às mudanças climáticas.
O Agro, representado pelo ex-ministro Roberto Rodrigues – indicação do Embaixador André Correia do Lago –, apresentará, na COP – 30, a proposta objetiva do Setor, com as linhas de ação e de implementação (Sumário Executivo – Fórum Brasileiro da Agricultura Tropical), que concretiza este compromisso.
O futuro da segurança climática e alimentar passa pela valorização das soluções tropicais, soluções que emergem de sistemas vivos, conhecimento local e inovação científica aplicada.
Arnaldo Jardim é deputado federal, vice-presidente da Frente Parlamentar Agropecuária e presidente da Comissão Especial de Transição Energética da Câmara dos Deputados.

Lavoura brasileira ao entardecer com a bandeira nacional sobreposta, destacando a força produtiva e ambiental do país.
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Perguntas Frequentes sobre Agro e a COP30
1. O que caracteriza a agricultura tropical brasileira?
A agricultura tropical do Brasil combina biodiversidade, capacidade hídrica, tecnologias avançadas e políticas públicas para produzir alimentos com alta eficiência e baixo impacto ambiental. É um modelo baseado em ciência e inovação.
2. O Código Florestal realmente protege o meio ambiente?
Sim. Considerado um dos mais rígidos do mundo, o Código exige percentuais elevados de preservação dentro das propriedades, garantindo proteção de água, solo e biodiversidade, além de contribuir para a mitigação das mudanças climáticas.
3. O que são tecnologias ABC?
As tecnologias do Plano Agricultura de Baixo Carbono incluem práticas como integração lavoura-pecuária-floresta, plantio direto e recuperação de pastagens degradadas. Elas reduzem emissões, aumentam produtividade e fortalecem a resiliência climática.
4. Bioinsumos são realmente sustentáveis?
Sim. Os bioinsumos substituem defensivos químicos e fertilizantes sintéticos, promovem equilíbrio biológico, fortalecem o solo e aumentam a produtividade com menor impacto ambiental.
5. Por que o agro é tão relevante para a COP-30?
O setor agropecuário brasileiro é estratégico para as metas globais de clima: reduz emissões, sequestra carbono, preserva áreas nativas e garante segurança alimentar. A COP-30 será vitrine para mostrar esses avanços ao mundo.
Visão de Futuro
O agro brasileiro chega à COP-30 como protagonista global, não apenas pela sua força produtiva, mas pela capacidade de oferecer soluções reais para o clima, a alimentação e a energia. Com ciência, inovação e compromisso socioambiental, o Brasil demonstra que agricultura e sustentabilidade caminham lado a lado.
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2 Comentários
[…] Brasil foi palco da Rio-92 e da Rio+20, que colocaram sustentabilidade na agenda global, e agora volta ao centro do debate num momento em que a Amazônia é vista como peça-chave para […]
[…] Nesse contexto, a participação ativa de Arnaldo Jardim nos debates da COP foi decisiva para reposicionar o agro brasileiro como parte da solução climática. Ao mesmo tempo, esse posicionamento destacou inovação, produtividade e responsabilidade ambiental, conforme analisado em Agro brasileiro: exemplo de sustentabilidade. […]