O mercado de créditos de carbono ocupa posição central nas negociações internacionais sobre o clima. Mais do que uma pauta econômica, ele representa um instrumento concreto de transição energética e desenvolvimento sustentável. Na COP-30, que acontecerá em Belém, a regulamentação global desse sistema promete ser um dos temas mais relevantes — e o Brasil, com seu potencial natural e legislativo, tem muito a contribuir nesse debate.
Compreender o funcionamento dos créditos de carbono é compreender também como o país pode liderar a agenda de sustentabilidade e competitividade ambiental. A seguir, o artigo integral do Deputado Federal Arnaldo Jardim, colunista do Blog Ambiental, aprofunda os caminhos e os desafios para o reconhecimento internacional dos créditos de carbono.
A transição para uma economia de baixo carbono depende de regras claras, mercados integrados e compromisso global. O carbono pode ser a moeda verde do futuro.

Blog Ambiental • A descarbonização é essencial para combater as mudanças climáticas e preservar os ecossistemas para as futuras gerações.
Créditos de Carbono reconhecidos por todos
Por Arnaldo Jardim
O mundo precisa de regras para a transação internacional dos créditos de carbono e o avanço dessa regulamentação tem que ser um ponto central nas negociações da COP-30.
Colocar preço nas emissões de CO2 é uma das estratégias mais poderosas para estimular uma produção com baixa emissão de carbono. E a forma mais custo-efetiva para essa precificação, de acordo com as experiências internacionais, é a criação de um mercado de emissões, no modelo cap-and-trade, que estabelece um limite para as emissões das empresas, por meio das permissões, e cria um mercado, onde elas podem ser negociadas. Esse modelo auxilia as empresas a identificarem e adotarem os processos de mais baixo custo para reduzir a pegada de carbono. O Carbono se transformou em um ativo ambiental com grande potencial para impulsionar a transição energética.
Atualmente, há cerca de 100 instrumentos de precificação de carbono no mundo, considerando os níveis nacionais e jurisdicionais, e, diante das dificuldades enfrentadas nas negociações multilaterais conduzidas no âmbito das COP’s, a ampliação dos Mercados Regulados de Carbono surge como um caminho concreto para mitigar os efeitos das mudanças climáticas com uma grande vantagem: os recursos negociados permanecem sob a tutela do setor produtivo para promover a mudança no padrão tecnológico. Estima-se que 24% das emissões globais seja objeto de regulação via mercado.
Um Mercado Internacional de Carbono, para unir todas as iniciativas domésticas, foi idealizado ainda em 1977, em Quioto, mas somente na COP-21, em Paris, foram aprovadas as regras para que países e empresas possam comercializar seus créditos de carbono, seja por meio do artigo 6.2, com Acordos Bilaterais, seja por meio do artigo 6.4, por sistema gerido pela Organização das Nações Unidas – ONU.
Os Acordos Bilaterais permitirão a transferência internacional de resultados de mitigação, também conhecidos como ITMO’s (Internationally Transferred Mitigation Outcomes). É um mecanismo importante para direcionar financiamento climático para países em desenvolvimento, porém aguarda regulamentação, pois a transferência depende de autorização expressa do Ministério da Fazenda.
O Mercado Internacional de Carbono é uma ferramenta econômica para cumprimento de metas climáticas globais e nacionais, além de gerar novas oportunidades de receita para países com grande potencial de redução de emissões, mas ainda falta harmonização regulatória. Países com vastos recursos naturais, como o Brasil, podem gerar créditos de carbono por meio de projetos como reflorestamento e energia renovável, transformando sua riqueza ambiental em fonte de renda e de empregos.
Em dezembro de 2024, com a aprovação da Lei 15.042, o Brasil fortaleceu seu compromisso com o combate às mudanças climáticas ao criar o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa – SBCE, no mesmo modelo Cap-and-Trade, voltado, especialmente, para a indústria nacional, como forma de manter a competitividade do setor face às regras ambientais cada vez mais rígidas da Comunidade Europeia, como o CBAM (Carbon Border Adjustment Mechanism). Empresas que emitirem mais de 25.000 ton Co2/ano são obrigadas a adquirir Créditos de Carbono para compensar suas emissões.
Precisamos avançar na regulamentação do SBCE, que será conduzido pela Secretária Extraordinária do Mercado de Carbono do Ministério da Fazenda, Cristina Reis. Nossa tarefa é estabelecer uma governança robusta e normas que assegurem a operacionalização eficaz do SBCE, possibilitando os acordos bilaterais, por meio dos ITMO’s, e a interoperabilidade com outros ativos ambientais importantes, como os CBIO’s, que promovem a descarbonização da matriz nacional de transporte, os CGOB’s, que vão descarbonizar o setor de gás natural no Brasil e os I – REC’s, que comprovam o consumo de eletricidade de fontes renováveis.
Além disso, a implementação do Mercado Internacional de Carbono deve ser prioridade nas negociações da COP – 30, pois o fluxo constante de recursos para projetos sustentáveis podem gerar empregos e renda, especialmente em países com grande potencial natural como o Brasil.
O Carbono pode impulsionar o nosso desenvolvimento.
Arnaldo Jardim é deputado federal, vice-presidente da Frente Parlamentar Agropecuária e presidente da Comissão Especial de Transição Energética da Câmara dos Deputados.

Símbolos representando o mercado de carbono e a COP-30, com ênfase na transição energética e no papel do Brasil nas negociações climáticas.
Links e referências recomendadas
- COP-30 em Belém: o Brasil no centro das negociações climáticas
- Finanças verdes: como investir com consciência e contribuir para um futuro sustentável
- Políticas públicas e energia renovável: caminhos para a transição
- Economia circular e competitividade empresarial
- Relatório da Agência Internacional de Energia sobre mercados de carbono (IEA, 2024)
- ONU – Climate Change and Carbon Markets
Perguntas Frequentes sobre Créditos de Carbono reconhecidos por todos
1. O que são créditos de carbono e como funcionam?
Créditos de carbono são certificados que representam a redução de uma tonelada de dióxido de carbono (CO₂) ou de gases equivalentes. Eles são gerados por projetos que evitam ou removem emissões, como reflorestamento, energia limpa e eficiência industrial.
2. Qual a importância da regulamentação internacional dos créditos de carbono?
Uma regulamentação unificada evita fraudes, padroniza critérios e garante que cada crédito represente uma redução real de emissões. Além disso, permite o comércio justo e transparente entre países e empresas.
3. Como o Brasil pode se beneficiar do mercado global de carbono?
Com sua ampla biodiversidade e matriz energética renovável, o Brasil pode liderar o mercado global, gerando créditos por meio de florestas nativas, bioenergia e práticas agropecuárias sustentáveis, atraindo investimentos verdes e fortalecendo a economia.
4. O que é o SBCE e qual seu papel?
O Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) é a estrutura que regulamenta a compra e venda de créditos de carbono no país. Ele cria metas de emissões e incentiva as empresas a reduzir sua pegada de carbono de forma eficiente e competitiva.
5. Por que o tema será central na COP-30?
O mercado internacional de carbono representa a base para viabilizar financeiramente o cumprimento dos compromissos climáticos globais. A COP-30 deve consolidar regras e mecanismos que permitam a expansão desse sistema, com o Brasil em papel de destaque.

Blog Ambiental • Identidade visual oficial da 30ª Conferência das Partes (COP30), que será realizada em Belém do Pará, destacando o papel do Brasil e da Amazônia na agenda climática global.
Conclusão
Os créditos de carbono são mais do que um instrumento econômico: representam uma nova fronteira para a sustentabilidade e para o desenvolvimento de baixo carbono. O desafio global é criar um sistema justo, transparente e inclusivo, que beneficie países e comunidades e transforme o carbono em uma oportunidade de progresso.
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Detalhes finais
Este artigo faz parte da coluna de Arnaldo Jardim no Blog Ambiental, #ArnaldoNaCop30 – espaço dedicado ao debate técnico e político sobre transição energética, economia de baixo carbono e políticas públicas ambientais.
Reprodução permitida com os devidos créditos.

3 Comentários
O tema dos créditos de carbono reconhecidos por todos ganha ainda mais relevância quando integrado a uma visão mais ampla de sustentabilidade empresarial. É nesse contexto que a economia circular na estratégia corporativa se torna complementar, como exploramos em https://blogambiental.com.br/economia-circular-na-estrategia-corporativa/. Enquanto os créditos de carbono compensam emissões inevitáveis, a economia circular atua na raiz, redesenha produtos e processos para eliminar resíduos e maximizar o uso dos recursos.
Portanto, a sinergia entre esses dois mecanismos é poderosa. Uma empresa que adota a economia circular reduz sua própria pegada, diminuindo a necessidade de compensação, e pode inclusive gerar novos créditos de carbono através de projetos de recuperação. Juntas, elas formam uma estratégia corporativa robusta: a economia circular cuida da redução interna, e os créditos de carbono tratam do impacto residual, caminhando para uma operação de baixo carbono.
A busca por um padrão global de créditos de carbono reconhecidos por todos será um dos pilares centrais das negociações na COP30 em Belém. A conferência é o palco ideal para que países e empresas avancem na regulamentação transparente desse mercado, como discutimos em https://blogambiental.com.br/cop30-em-belem/, criando as regras que darão confiança e escala aos mecanismos de compensação.
Portanto, o sucesso da COP30 pode ser medido, em parte, pela sua capacidade de gerar consenso em torno desses padrões. Um acordo robusto em Belém seria um grande passo para destravar investimentos, integrar mercados e garantir que os créditos de carbono sejam, de fato, um instrumento confiável e eficaz na luta contra as mudanças climáticas.
O tema dos créditos de carbono reconhecidos por todos é fundamental para a transição energética, mas sua implementação tem um custo real. Como exploramos em https://blogambiental.com.br/custo-da-transicao-energetica/, a mudança para uma economia de baixo carbono exige investimentos massivos em infraestrutura, tecnologia e inovação.
Portanto, um mercado de carbono robusto e confiável pode ser uma importante ferramenta para financiar essa transição. Quando bem regulado, ele canaliza recursos de empresas que precisam compensar emissões para projetos que efetivamente reduzem o carbono na atmosfera, ajudando a internalizar o custo da transição energética e acelerando o caminho para um futuro sustentável.