Os incêndios na Amazônia brasileira provavelmente se intensificarão nas próximas semanas, alertou um importante especialista em meio ambiente, apesar das alegações do governo de que a situação foi controlada.

Cerca de 80.000 incêndios foram detectados no Brasil este ano – mais da metade na região amazônica – embora no sábado o presidente da extrema direita, Jair Bolsonaro, afirme que a situação está “voltando ao standard”.

Na segunda-feira, o ministro da Defesa do Brasil, Fernando Azevedo e Silva, a repórteres: “A situação não é direta, mas está sob controle e já está esfriando bastante”.

Mas em um artigo para o jornal O Globo do Brasil Na quarta-feira, um proeminente especialista em silvicultura alertou que a estação anual de queima do país ainda não havia terminado completamente e pediu medidas urgentes para reduzir os possíveis danos.

“O pior do incêndio ainda está por vir”, escreveu Tasso Azevedo, engenheiro florestal e ambientalista que coordena o grupo de monitoramento do desmatamento MapBiomas.

Azevedo disse que muitas das áreas atualmente consumidas pelas chamas eram trechos da floresta amazônica que foram derrubados nos meses de abril, maio e junho. Mas as áreas desmatadas em julho e agosto – quando os sistemas de monitoramento do governo detectaram um grande aumento na destruição – ainda estavam incendiadas.

A Amazônia brasileira perdeu 1.114,8 quilômetros quadrados (430 milhas quadradas) – uma área equivalente a Hong Kong – nos primeiros 26 dias de agosto, de acordo com dados preliminares da agência de monitoramento de satélites do governo. Uma área com metade do tamanho da Filadélfia teria sido perdida em julho, com a mídia brasileira denunciando uma “explosão” de devastação na Amazônia.

Azevedo escreveu: “O que estamos enfrentando é uma crise genuína que pode se tornar uma tragédia predita com incêndios muito maiores do que os que estamos vendo agora, se não forem imediatamente interrompidos”.

Ele pediu medidas urgentes, como a repressão ao desmatamento em territórios indígenas e unidades de conservação e a proibição de queima deliberada na Amazônia até pelo menos o closing de outubro, quando a estação seca termina.

Esse aviso veio depois que mais de 400 membros da agência ambiental brasileira, Ibama, publicaram uma carta aberta maldita sobre o estado de proteção ambiental de Bolsonaro, um nacionalista de direita que assumiu o poder em janeiro prometendo abrir a Amazônia para o desenvolvimento.

Na carta ao presidente do Ibama, Eduardo Bim, os funcionários disseram que sentiam que era seu dever expressar publicamente sua “imensa preocupação” com a direção que a proteção ambiental estava tomando.

“As taxas de destruição da floresta amazônica não serão reduzidas, a menos que seja adotada uma postura firme contra crimes ambientais”, eles escreveram.

Os ativistas acusam o governo Bolsonaro de impedir a própria agência que deveria combater o desmatamento ilegal e dar luz verde aos criminosos ambientais com sua retórica pró-desenvolvimento.

Na quarta-feira Reuters relatou que, apesar do aumento do desmatamento, um esquadrão de elite dos agentes do Ibama – chamado Grupo Especializado de Fiscalização ou Grupo Especializado de Inspeção – não havia sido implantado na Amazônia uma vez em 2019.

Em uma cúpula de governadores da Amazônia na terça-feira – supostamente convocada para discutir respostas aos incêndios – Bolsonaro atacou repetidamente ambientalistas e ativistas indígenas que, segundo ele, estavam retendo a economia do Brasil.

Muitos, embora não todos, os governadores da Amazônia apoiaram a visão de Bolsonaro para a região.

“A Amazônia ainda está pegando fogo, mas Jair Bolsonaro conseguiu mostrar que não está sozinho”, Bernardo Mello Franco escrevi em O Globo na quarta-feira. “Em uma reunião no palácio presidencial, a maioria dos governadores da região também deixou claro que não poderia dar a mínima para a floresta”.

Bolsonaro confirmou na quarta-feira que participaria de uma reunião com outros líderes sul-americanos na vizinha Colômbia no dia 6 de setembro, para elaborar uma resposta coordenada à crise.

O encontro, anunciado na terça-feira, buscará elaborar um plano para proteger a floresta amazônica, que abrange Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana e Suriname.

Na quarta-feira, 18 marcas globais de moda, incluindo Timberland, Vans e The North Confront, foram relatado ter suspendido as compras de couro do Brasil durante a crise.

Esta matéria foi traduzida do site first.