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Blog Ambiental • Carro flex prateado sendo abastecido por um único bico verde de etanol, com plantação de cana-de-açúcar e céu azul ao fundo.

Os Biocombustíveis na COP-30

Como o Brasil pode liderar a transição para uma mobilidade de zero emissões com soluções sustentáveis

por Arnaldo Jardim
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Na COP-30, o Brasil se apresenta ao mundo como um exemplo de eficiência e inovação no uso de biocombustíveis. Em meio ao debate sobre a descarbonização da mobilidade, o país reforça sua posição como potência verde e demonstra que é possível aliar transição energética, competitividade e sustentabilidade.

O artigo a seguir, assinado pelo deputado federal Arnaldo Jardim — colunista do Blog Ambiental —, inaugura mais um capítulo da série “Arnaldo na COP-30”, trazendo uma reflexão essencial sobre o papel dos biocombustíveis no futuro da mobilidade global.

Os biocombustíveis são patrimônio nacional e uma das principais soluções brasileiras para reduzir emissões e impulsionar o desenvolvimento sustentável.

Blog Ambiental • Deputado Federal Arnaldo Jardim participa de seminário sobre propostas de regulamentação da Reforma Tributária.

Deputado Federal Arnaldo Jardim durante seminário para discutir propostas de regulamentação da Reforma Tributária, em 22/2/2024. Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Os Biocombustíveis na COP-30

Por Arnaldo Jardim

O Brasil vai mostrar ao mundo que, na transição para uma mobilidade de zero emissões, os biocombustíveis são a forma mais eficiente, e econômica, de substituir combustíveis fósseis.Estudo da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), “Caminhos para a Descarbonização: a pegada de carbono no ciclo de vida do veículo”, em parceria com o BCG (Boston Consulting Group), demonstra que os veículos brasileiros que utilizam etanol têm a menor pegada de carbono do mundo quando avaliado o ciclo de vida “do Berço ao Túmulo” – análise de ciclo de vida que leva em consideração a pegada de carbono desde a extração das matérias-primas até o descarte final do veículo.

Desde 2003, quando estabeleceu como meta a substituição de 20% dos combustíveis convencionais por combustíveis alternativos, a União Europeia discute se os biocombustíveis são uma solução para o aquecimento global ou parte do problema. Para os críticos, as culturas energéticas concorrem com a produção de alimento e o debate “food versus fuel” tem sido um dos principais argumentos contra a ampliação do seu uso. A elevação dos preços de óleo de soja e milho, no início de 2025, corroboraria essa tese.

Entretanto, dados publicados pela GCB Bioenergy, revista conceituada na área de energia sustentável, mostram que os preços desses produtos sempre estiveram muito alinhados com os praticados internacionalmente. O óleo de soja, por exemplo, ficou muito caro durante a pandemia, mas sofreu uma forte deflação, em 2023, de 36%. São flutuações que acompanham conjecturas pontuais. No caso do milho, ainda possuímos uma válvula de escape, a chamada “safrinha” – segunda safra que aumenta a produção de milho e nos permite produzir energia sem comprometer a oferta de alimentos. Segurança energética e segurança alimentar podem caminhar juntas.

Mais recentemente, durante as discussões pré-Cúpula G20, as delegações europeias apresentaram mais barreiras: o princípio de “uso em cascata”, segundo o qual deve existir uma hierarquia para o uso da biomassa, de acordo com o valor agregado. Prioritariamente, alimentação humana; nutrição animal, na sequência; e, somente por último, produção de energia. Enquanto isso, o Bloco Europeu vem aumentando a produção. Segundo a Eurostat, foram produzidos 15,7 bilhões de litros de biodiesel e 4,4 milhões de litros de bioetanol em 2023, principalmente, a partir do cultivo da colza (óleo de canola), na Alemanha, e do trigo e da beterraba, na França.

Lançar dúvidas sobre os biocombustíveis tem sido a prática da União Europeia que, historicamente resistente à importação de combustíveis renováveis das Américas, age assim apenas para proteger seus agricultores. Mas não há dúvidas: os biocombustíveis são a alternativa sustentável para substituir os combustíveis fósseis e uma de suas maiores virtudes é promover a descarbonização sem alterações substanciais nos motores e independentemente da adoção de nova tecnologia. Somente argumentos protecionistas podem distorcer essa realidade.

Essa trajetória de sucesso, que começou com o Pró-Álcool, será ampliada ainda mais com a Lei do Combustível do Futuro, da qual fui relator na Câmara dos Deputados, que vai intensificar a descarbonização do setor de transporte, ampliando a mistura de etanol na gasolina e do biodiesel no diesel, bem como incentivando a produção de combustível sustentável de aviação – SAF, de diesel verde, de biometano, de biobunker e de combustíveis sintéticos.

Na COP-30, a defesa dos biocombustíveis deve ser uníssona e a ampliação de sua utilização em escala mundial deve ser defendida no âmbito da Aliança Global para Biocombustíveis.

Os biocombustíveis são patrimônio nacional, fundamentais para o Brasil se manter no protagonismo da transição energética. Seu destaque na COP-30 e sua maior utilização em escala global representam uma alternativa concreta para diminuir a emissão dos gases de efeito estufa.

Arnaldo Jardim é deputado federal, vice-presidente da Frente Parlamentar Agropecuária e presidente da Comissão Especial de Transição Energética da Câmara dos Deputados.


Blog Ambiental • Ilustração representando biocombustíveis e mobilidade sustentável no Brasil, com elementos de energia limpa e paisagem tropical.

Representação visual do papel dos biocombustíveis na transição energética global e nas discussões da COP-30.

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Perguntas Frequentes sobre Biocombustíveis na COP30

1. O que são biocombustíveis?

Biocombustíveis são fontes de energia renovável produzidas a partir de matéria orgânica — como cana-de-açúcar, soja e milho —, que substituem combustíveis fósseis e reduzem as emissões de gases de efeito estufa.

2. Qual a importância do Brasil no cenário global dos biocombustíveis?

O Brasil é líder mundial na produção de etanol e biodiesel e referência em tecnologia automotiva flex. Seu modelo de biocombustíveis é reconhecido internacionalmente como eficiente, econômico e sustentável.

3. Os biocombustíveis competem com a produção de alimentos?

Estudos mostram que não. O Brasil possui capacidade agrícola e tecnológica para produzir alimentos e energia de forma integrada, utilizando áreas distintas e rotatividade de safras como a “safrinha”.

4. O que é a Lei do Combustível do Futuro?

É uma política nacional que amplia o uso de biocombustíveis e incentiva a produção de combustíveis sustentáveis, como o SAF e o biometano, consolidando o Brasil como referência global na transição energética.

5. Qual o papel da COP-30 nesse contexto?

A COP-30 é o palco ideal para o Brasil defender a ampliação dos biocombustíveis no mundo e reforçar sua posição na Aliança Global para Biocombustíveis, promovendo uma mobilidade de baixo carbono.


Conclusão

Os biocombustíveis sintetizam a capacidade brasileira de inovar com sustentabilidade. Ao equilibrar segurança energética e alimentar, o país demonstra que é possível construir um futuro de zero emissões sem abrir mão do desenvolvimento. Na COP-30, o Brasil mostra ao mundo que o caminho verde já está em movimento.

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Detalhes finais

Este artigo faz parte da coluna de Arnaldo Jardim no Blog Ambiental, na série #ArnaldoNaCop30 – espaço dedicado ao debate técnico e político sobre transição energética, economia de baixo carbono e políticas públicas ambientais.

Reprodução permitida com os devidos créditos.

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2 Comentários

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