O número de incêndios este ano na Amazônia é o maior desde 2010, atingindo mais de 90.000 incêndios ativos. Agricultores e pecuaristas costumam usar incêndios para limpar a floresta. Mas o número deste ano reflete um aumento preocupante na taxa de desmatamento, que começou a cair por volta de 2005 antes de se recuperar no início desta década.

Muitas pessoas culpar o governo brasileiro e suas políticas pró-agricultura para a atual crise. Mas como um pesquisador ambiental que trabalha na Amazônia há 25 anos, posso dizer que as sementes foram plantadas antes da eleição do presidente Jair Bolsonaro em 2018. E as perspectivas de desaceleração do desmatamento permanecem fracas, uma questão que importa para as pessoas em todo o mundo.

Isso ocorre em parte porque o atual governo apenas agravou a situação com sua agenda anti-ambiental. A menos que o povo brasileiro ter sucesso Ao fazer Bolsonaro se retirar de seu objetivo declarado de desenvolver a Amazônia, o desmatamento aumentará novamente.

A adição de combustível ao fogo é o ritmo acelerado da Iniciativa para a Integração da Infra-Estrutura Regional da América do Sul (IIRSA), uma multinacional plano construir estradas, barragens e linhas ferroviárias em toda a Amazônia.

Objetivos conflitantes

O Brasil conseguiu reduzir significativamente as taxas de desmatamento na virada do milênio, com política ambiental eficaz e esforços voluntários do setor privado. O desmatamento, que iniciado na década de 1970, começou a subir novamente em 2015 devido a turbulências políticas e uma recessão econômica que abriu o caminho para reversões de política.

o Taxa de desmatamento na Amazônia caiu de cerca de 10.700 milhas quadradas em 2004 para 1.765 milhas quadradas em 2012 e permaneceu baixa até sua ressurgimento há alguns anos. Isso ocorreu por causa de uma política ambiental eficaz, que no Brasil se baseia principalmente em áreas protegidas, como parques nacionais, e um código florestal que limita a quantidade de terra que pode ser limpa em propriedades individuais.

Ao longo dos anos, o governo brasileiro desenvolveu um sistema de áreas protegidas para proteção ecológica e reservas indígenas. Em 2002, expandiu sua cobertura para cerca de 43% de toda a Amazônia. Também criou áreas protegidas em zonas de conflito terrestre como forma de reprimir incêndios e desmatamento desenfreados.

Além disso, a aplicação do código florestal foi aprimorada pelo desenvolvimento de um sistema de monitoramento por satélite que permitiu à agência brasileira de proteção ambiental identificar os proprietários que infringem a lei do espaço.

Além do governo, o setor privado ajudou a diminuir a taxa de desmatamento. Os agricultores de soja pararam de plantar novos campos na floresta, e os varejistas exigiram que os produtos vendidos fossem de terras já desmatadas para que pudessem certificá-los como "verdes", especialmente carne.

Infelizmente, esses esforços começaram a se desdobrar quase assim que se mostraram eficazes. A razão de fundo é que muitas pessoas viam a Amazônia como um vasto estoque de recursos valiosos para serem usados ​​no desenvolvimento Econômico de uma região pobre.

A agenda de IIRSA – um extenso projeto de construção de infraestrutura lançado em 2000 para conectar as economias da região e áreas remotas – expressa essa visão, comum a todas as nações que compartilham a bacia amazônica. Entre eles, além do Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela. Não é de surpreender que suas orientações individuais para a região reflitam uma contradição entre o desenvolvimento econômico, por um lado, e a conservação, por outro.

No Brasil, o governo não apenas cria áreas protegidas, mas as reduz a fim de preparar para projetos de infraestrutura. A ex-presidente Dilma Rousseff chegou a reduzir o tamanho do Parque Nacional da Amazônia em 2012, o primeiro da Amazônia, a abrir caminho para o Complexo Hidrelétrico Tapajós, um componente-chave do plano IIRSA. O governo não age no vácuo, e no Brasil um poderoso bloco congressional, o grupo rural / de mineração conhecido como Ruralistas, trabalha incansavelmente em comprometer a política ambiental.

Isso levou a revisões no código florestal, em 2012, que favorecer a agricultura, não o meio ambiente, isentando aqueles que desmataram ilegalmente antes de 2008 de terem que reflorestar de acordo com a lei. A continuação da ação política ruralista facilitou em 2017 para os grileiros obter título de terras apreendidas ilegalmente.

Medos de um ponto de inflexão

O presidente Bolsonaro herdou um conjunto de políticas ambientais enfraquecidas e todas as indicações são de que ele continuará a enfraquecê-las. Ao mesmo tempo, ele cumpriu sua promessa de abrir a Amazônia ao desenvolvimento anunciando planos construir uma ponte sobre o rio Amazonas e estender uma estrada asfaltada até a fronteira com o Suriname.

A agenda da IIRSA parece estar se acelerando e, como pessoas migram para a região tirar proveito do empregos que cria, a incêndios só podem piorar.

Desde a abertura do Amazônia para o desenvolvimento na década de 1970, incêndios foram deliberadamente definidos anualmente para dar lugar a campos e pastagens e fertilizar solos. A Amazônia mantém um clima úmido, o que limita sua extensão. Assim, os super incêndios nunca se espalharam por centenas de quilômetros quadrados, como acontece com os incêndios florestais nos EUA. Mas isso pode mudar devido ao efeito cumulativo do uso repetido do fogo.

Pesquisas mostram que todos os anos quando a floresta queima, o efeito destrutivo se espalha além das chamas para matar árvores e desidratar a paisagem. Isso pode tornar a floresta cada vez mais vulnerável ao fogo através do acúmulo de materiais inflamáveis ea coalescência de ecossistemas marcados pelo fogo amplas faixas de toda a bacia.

Se o Brasil não se retirar do curso em que está, cientistas alertam que chegará um momento no futuro próximo em que a Amazônia incêndios queimam sem controle e empurrar a floresta para um ponto sem retorno, o que alguns chamam de "ponto de inflexão" aquilo vai mudar permanentemente a ecossistema subjacente. Sem uma restauração da política ambiental no Brasil, os piores incêndios ainda estão por vir.

A conversa

Robert T. WalkerProfessor de Geografia e Estudos Latino-Americanos, Universidade da Flórida.

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