“Saúde mental também é sustentabilidade — principalmente quando trata dos invisíveis que fazem o sistema funcionar.”

Imagem simbólica representando a sobrecarga emocional causada pelo contato constante com resíduos e a negligência social enfrentada por trabalhadores da reciclagem.
Por que falar da saúde mental dos catadores?
Na cadeia da economia circular, os catadores são protagonistas silenciosos. Segundo a ANCAT, mais de 800 mil brasileiros atuam informalmente nesse segmento, sendo responsáveis por cerca de 90% do material reciclado no país.
Entretanto, o reconhecimento social e institucional não acompanha essa contribuição. A saúde mental dos catadores de recicláveis é frequentemente esquecida em políticas públicas ambientais e sociais, mesmo sendo um ponto crucial para o bom funcionamento dos programas de reciclagem. De acordo com a OIT, os catadores enfrentam rotinas altamente estressantes, com jornadas longas, locais insalubres e estigmatização social.
Essas condições comprometem não apenas sua saúde emocional, mas a própria eficiência da política de resíduos sólidos. Ou seja: cuidar da mente de quem cuida do planeta é um requisito indispensável para a sustentabilidade.
Realidades invisibilizadas: estresse, ansiedade e sofrimento silencioso
Em um estudo realizado pela Fiocruz, mais de 60% dos catadores entrevistados relataram sintomas recorrentes de estresse e ansiedade. O cotidiano é permeado por desafios físicos e emocionais. Além da instabilidade financeira e da ausência de políticas públicas efetivas, a falta de espaços de escuta ativa e apoio psicossocial faz com que muitos desses trabalhadores sofram em silêncio.
- Exposição a resíduos perigosos;
- Insegurança jurídica e econômica;
- Falta de apoio psicológico;
- Estigma e preconceito social;
- Isolamento emocional no cotidiano de trabalho.
A importância das cooperativas: acolhimento, renda e cidadania

Cooperativas de catadores promovem inclusão social, geração de renda e apoio à saúde mental dos profissionais da reciclagem.
Experiências como a da Coopamare (SP) e da Cooperativa Grande Vitória (ES) demonstram que quando há organização, apoio institucional e reconhecimento, os indicadores de saúde mental melhoram significativamente…
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Exemplos reais de apoio emocional e psicológico a catadores
- Conexão Cidadã: oferece triagem social, escuta ativa e apoio psicológico por meio de unidades móveis que visitam cooperativas e pontos de coleta. Leia mais
- Cataforte: retomado em 2024, o programa federal destina recursos ao fortalecimento de cooperativas e oferece suporte psicossocial estruturado aos trabalhadores da reciclagem. Leia mais
- Parceria Itaipu (Amazônia/Belém): iniciativa que promove acolhimento e redução do estigma em cooperativas da região amazônica, com ações de assistência à saúde mental. Leia mais
Políticas públicas ainda insuficientes
O Brasil carece de uma política pública estruturada para saúde mental no trabalho informal. O Plano Nacional de Resíduos Sólidos não contempla ações voltadas à saúde psicológica dos catadores. Além disso, os editais e programas de incentivo à logística reversa focam em metas quantitativas de coleta, negligenciando indicadores sociais e de qualidade de vida.
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Mitos que prejudicam a saúde mental dos catadores
Infelizmente, ainda é comum ouvir afirmações como “eles estão acostumados com essa realidade” ou “são fortes porque sempre viveram assim”. Esses mitos reforçam uma narrativa desumanizadora, que impede o avanço de políticas inclusivas e de escuta sensível.
- “Catador não precisa de psicólogo.”
- “Eles já são fortes por natureza.”
- “Estão ali por escolha, não por necessidade.”
Caminhos possíveis: o que pode ser feito?
Governos: integrar saúde mental à política de resíduos, com repasse de recursos para capacitação emocional nas cooperativas e centros de acolhimento.
Sociedade: valorizar catadores, promover campanhas de respeito e apoio psicossocial, apoiar associações locais e pressionar por políticas públicas mais humanas.
Empresas: financiar programas de bem-estar e saúde mental por meio de acordos de logística reversa.
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📢 Retomando a atenção: a transformação começa na empatia
Ao reconhecermos a centralidade dos catadores na agenda climática, precisamos assumir o compromisso com seu bem-estar emocional…
🌎 Conclusão: sem saúde mental, não há sustentabilidade verdadeira
Mais do que um problema de saúde pública, o adoecimento emocional dos catadores é um reflexo da desigualdade social. Garantir dignidade e condições plenas é uma obrigação coletiva.
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Perguntas frequentes sobre Saúde mental no ambiente de catadores e catadoras de recicláveis
1. Por que a saúde mental dos catadores deve ser prioridade nas políticas públicas?
Porque influencia diretamente na produtividade, saúde e permanência desses profissionais em programas de reciclagem. Reconhecer sua contribuição é essencial para a sustentabilidade da cadeia.
2. Que fatores agravam o estresse entre catadores?
Trabalho insalubre, baixa remuneração, estigma social, ausência de suporte psicológico, insegurança jurídica e falta de reconhecimento institucional.
3. Como as cooperativas ajudam na saúde emocional dos catadores?
Oferecendo acolhimento coletivo, rodas de conversa, assistência psicológica, capacitação emocional e vínculos de pertencimento que fortalecem a autoestima e reduzem o sofrimento.
4. Quais ações simples a sociedade pode tomar?
Separar corretamente o lixo, valorizar o trabalho dos catadores, apoiar financeiramente cooperativas, participar de campanhas de inclusão e exigir políticas públicas mais humanas.
5. Qual o papel das empresas?
Investir em logística reversa com justiça social, financiar projetos de saúde mental nas cooperativas e integrar catadores aos compromissos ESG de suas cadeias produtivas.

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[…] mitos e omissões. Há quem acredite que saúde mental seja um problema exclusivamente individual, negligenciando os determinantes socioambientais que a moldam. Este é um equívoco perigoso. Ambientes poluídos e estressantes contribuem significativamente […]